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quinta-feira, 7 de julho de 2016

Poema do coração partido

Estou melhorando, um pouco a cada dia
Mas sobra um amargo sabor ainda
Daquela saudade que não finda
E aflige o coração que palpita

A chicotadas de auto controle
Eu refreio as memórias
Mas por vezes sou fraco
E me bordoam as lágrimas

Só me resta sorrir
E enfrentar o porvir
Na alegria do encanto
De leves recomeços

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Mágico

Eu queria fazer assim como um mágico, empurrar lenços de pano para dentro da manga e tirar flores lá de dentro. Queria pegar tudo o que estou sentindo e puxar para fora algo que fará brotar sorrisos, florescer esperança.Mas se eu fizer isso, achando que vou tirar um lindo perfume de dentro de mim, nada mais vou do que lançar lágrimas salgadas e ácidas para cima dos outros. Eu não estou bem, e peço desculpa a todos, mas não quero lançar meu veneno para lugar nenhum. Vou me fechar no meu casulo enquanto ele se dilui no meio de pensamentos e sensações.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Monbic

Sou aquela velha bic, torta e mordida, com ponta empenada engasgando para soltar mais um resto de tinta. Eram textos e poemas, letras e resenhas que choviam sobre o papel, e a letra era rebuscada e aconchegante, trazendo sorrisos para uns e lágrimas para outros. Essa caneta já foi roubada, devolvida, derrubada no chão, transportada para outra dimensão e voltou ao estojo. A tinta, aquele preto forte e marcante está cada vez mais parecendo um cinza, assim como pessoas legais envelhecem e se tornam ranzinzas.
Um dia volto a ser, não uma vara de escrita, mas uma Montblanc pesada e classuda a desenhar fractais por aí.

"E todo mundo te odiar em nome do amor, e todo bem que existe neste mundo"

domingo, 6 de setembro de 2015

Ontem a noite estava frio, e eu lembrei de Dublin
Lembrei de algumas semanas antes de você chegar, como era escuro, gélido o vento que cortava pela janela, naquele quarto gigante. E eu ficava no batente, sozinho, esperando seu abraço me apertar. Eu era James Cook, você era Effy. Quando você chegou nada mais importava, e podíamos fugir para o meio da floresta, ou qualquer outro lugar frio, for that matter.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Traumas discretos

     Olhe ao redor, e veja as pessoas. Não só as veja, tente as perceber. Algumas vão te oferecer sorrisos afetados, manias inquietas, gestos generosos e timidez não assumida. Vão te oferecer uma vasta gama de micro-traumas de experiências passadas, seja da natureza que for, pequenos são estes sulcos da lapidação incessante desta vida. Olhos destreinados talvez não percebam, pois estes traços se manifestam em sublimes instantes de descuido ou descontração. Você deve conhecer alguém que baixa o olhar e evita contato visual ao conversar, ou alguém que geralmente abaixa sua cabeça quando vai falar com outra pessoa. Este é o tipo de efeito de que falo.
     São estas minúsculas (às vezes grandes) fraturas cicatrizadas que formam o "jeito" de cada um. Todos temos de lidar com dilacerações, por menores que sejam, na alma, no coração e na pele, e estas deixam vergões sinuosos em nossas costas que nos servem de lembretes, assim como tatuagens contando histórias. Mas como identificar algo tão íntimo nas outras pessoas? Simples: mire nos olhos, converse olho-a-olho, e você notará a mais singela afetação. É claro que você deixará expostos seus micro-traumas também, mas qual o problema? Existe um ditado que fala "os olhos são a porta da alma" e grande verdade há nisso, pois sempre é possível se conectar através dos olhos. Estes, por vezes, são ferramentas de comunicação mais eficientes que a própria boca, se quer saber.
     Imagine que você possa saber de coisas que aconteceram às pessoas só de olhar para seus olhos. Talvez não com tanta precisão, mas ainda assim, sabe pelas dificuldades e alegrias que elas passaram. Mesmo que queiram esconder, elas vão soltar um leve sorriso quando você falar sobre tal ou tal coisa, vão franzir as sobrancelhas quando usar certo tom de voz, e assim por diante, revelando como se sentem quando são remetidas a uma lembrança. Sabendo disso, você ainda pode julgar os atos das pessoas? Sempre que tiver uma opinião forte à respeito de alguém ou mesmo um julgamento precoce, lembre-se de seus micro-traumas, e pergunte-se o que outros fizeram a esta pessoa. O que levou esta pessoa a agir assim? Caráter? Índole pura e friamente má? Ou uma combinação de fatores, um caldeirão de experiências que moldaram sua conduta? Será que depois de buscar os olhos de uma pessoa e perceber o fundo de sua alma junto com todas as cicatrizes ali você vai continuar se achando tão diferente dela?
     Somos todos irmãos, e a prova disso está no fato de que apesar de diferentes por fora, temos todos as mesmas tatuagens por dentro.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Tipos

As pessoas gostam de classificar parceiros em "tipos". Homens falam que gostam de certos "tipos" de mulheres; mulheres dizem que tal cara não faz o seu "tipo"

Que tipos são esses?

Loira, bunduda, peituda, safada? Magra, trincada, morena, alta?
Musculoso, careca, forte, bonito? Cabeludo, rockeiro, bad-boy?

ou ainda:
inteligente, dedicada/o, carinhosa/o, meiga/o, sincera/o ?

Entrando na brincadeira, meu tipo de mulher é, justamente, a "minha"

Este é meu tipo de mulher.

A mulher que é minha para eu chamar do que quiser, quando quiser, com a entonação que quiser. É minha não porque dominei, mas porque conquistei o direito de chamar de minha. É minha porque eu cuido e gosto de cuidar, porque uso e gosto de usar e que cresce junto comigo. Que se torna cada vez mais minha. Que é tão minha, que eu acabo sendo dela. E que acabo sendo conquistado, concedo o direito de ser chamado de seu, que recebo cuidados e carinhos, que me usa e me faz tornar-me cada vez mais seu.

Esse é meu tipo de mulher.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Chuva, nuvens, pilhas de folhas sobre a escrivaninha, noites mal dormidas, provas, trabalhos e tantos sentimentos/nostalgias prontos para serem rasgados para fora do coração não deixam minha mente destravar-se de uma palavra: inércia. Às vezes bate essa decepção comigo, com o mundo, com tudo, com a própria decepção até. Você espera um pequeno empurrão, um mínimo impulso que seja das coisas que estão ao seu redor para te ajudar a seguir em frente. O problema é que às vezes recebemos essa propulsão e nos acostumamos, até que ficamos por nós mesmos, sem esse empurrãozinho. Ora, mas se somos só partículas entuchadas juntas, a inércia vai nos deixar mais densos, então tudo há de nos empurrar para baixo quando pararmos, e nada há de nos impedir quando estivermos cheios de energia, empuxando-nos para cima. Eu sei, é preciso encontrar forças para não cair nessa estagnação, e sei que sempre vamos ter de onde tirar essa forças, só não sabemos onde encontrá-la certas vezes. Veja bem, tenho inveja das crianças pois elas tem essa chama que mantém elas aprendendo e seguindo em frente, inerentemente. Para mim, somos nada mais que recipiente cheio de comburente, enquanto o universo é fonte infinita de combustível que vai manter essa chama do aprendizado ardendo, e nossos piores momentos se encontram quando este fogo não está aceso. É uma jornada longa, cheia de trabalho, incluindo aprender a lidar com esses momentos sombrios, e no final a vida sempre te ensina a nadar quando já não bate nem meia brisa na vela de seu barco.

Pensar "vou mudar, mas só amanhã" traz ótimos resultados, mas só amanhã.