Chuva, nuvens, pilhas de folhas sobre a escrivaninha, noites mal dormidas, provas, trabalhos e tantos sentimentos/nostalgias prontos para serem rasgados para fora do coração não deixam minha mente destravar-se de uma palavra: inércia. Às vezes bate essa decepção comigo, com o mundo, com tudo, com a própria decepção até. Você espera um pequeno empurrão, um mínimo impulso que seja das coisas que estão ao seu redor para te ajudar a seguir em frente. O problema é que às vezes recebemos essa propulsão e nos acostumamos, até que ficamos por nós mesmos, sem esse empurrãozinho. Ora, mas se somos só partículas entuchadas juntas, a inércia vai nos deixar mais densos, então tudo há de nos empurrar para baixo quando pararmos, e nada há de nos impedir quando estivermos cheios de energia, empuxando-nos para cima. Eu sei, é preciso encontrar forças para não cair nessa estagnação, e sei que sempre vamos ter de onde tirar essa forças, só não sabemos onde encontrá-la certas vezes. Veja bem, tenho inveja das crianças pois elas tem essa chama que mantém elas aprendendo e seguindo em frente, inerentemente. Para mim, somos nada mais que recipiente cheio de comburente, enquanto o universo é fonte infinita de combustível que vai manter essa chama do aprendizado ardendo, e nossos piores momentos se encontram quando este fogo não está aceso. É uma jornada longa, cheia de trabalho, incluindo aprender a lidar com esses momentos sombrios, e no final a vida sempre te ensina a nadar quando já não bate nem meia brisa na vela de seu barco.
Pensar "vou mudar, mas só amanhã" traz ótimos resultados, mas só amanhã.