Estive pensando um pouco sobre como eu tenho escrito ultimamente.
Sinceramente, eu gosto de ver sentimentos em vermelho e laranja em textos que leio, e também nos que escrevo. Frases fortes, violentas e avassaladoras. As palavras na verdade tem um valor muito maior do que as pessoas pensam (com babacas tagarelas dominando o mundo, elas de fato perdem um pouco de seu valor). Dependendo da pessoa, da circunstância, contexto e até a ordem em que são colocadas, as palavras criam efeitos diferentes sobre as pessoas. Cada palavra é como uma pincelada em um grande quadro. No final podemos ter uma obra de arte, ou podemos ter uma porcaria sem sentido algum. Ou meio termo. Mas o fato é que elas intrigam a ti, a mim e a qualquer pessoa.
É por isso que um autor que se preze trabalha com tanto esmero para dominá-las. Pense como um músico deve se esforçar até achar tal combinação de notas e tempos que vai te causar drásticas sensações ao ouvir a música. Eu tento sempre otimizar o meu jeito de escrever. Escrever muito não é escrever bem. Qualidade literária significa transmitir claramente as mensagens com a quantidade certa de palavras. Eu busco essa qualidade através da minha posição. Quando escrevo, odeio ser imparcial. Imparcialidade traz ordem, e a ordem não mexe com as pessoas. Eu quero bagunçar mentes. Quero me comunicar com o leitor, entrar em sua cabeça e mexer com os conceitos... é isso o que a parcialidade faz. Nunca o meio termo, sempre o limite tendendo ao infinito.
Sabe, o infinito é um conceito, uma abstração. Talvez uma das formas mais primitivas de idéia que nasceu. O homem nunca vai agarrar o infinito.
É por isso que eu quero tanto ser um limite do infinito. Geração após geração, pessoas vão continuar correr atrás do infinito. Imagina tu, em um de seus extremos agarrar o Oeste, segurar o Leste com a outra mão, juntar as duas pontas do horizonte e fazer uma colcha para se cobrir. Mas você nunca vai fazer isso.
Assim, quando sou um limite do infinito, vou estar em tempo integral mexendo com a mente das pessoas, me comunicando com suas idéias, e aí sim serei perpétuo. Os autores atemporais (gosto sempre de citar Machado) todos, sem excessão, foram imortalizados pois suas essências situam-se em conceitos que estão à beira do infinito.
Por isso, eu gosto quando falam que sou 'oito ou oitenta'. Totalmente apaixonado, totalmente perdido, totalmente feliz, totalmente desiludido, raivoso, rancoroso, vermelho ou laranja.