Sou aquela velha bic, torta e mordida, com ponta empenada engasgando para soltar mais um resto de tinta. Eram textos e poemas, letras e resenhas que choviam sobre o papel, e a letra era rebuscada e aconchegante, trazendo sorrisos para uns e lágrimas para outros. Essa caneta já foi roubada, devolvida, derrubada no chão, transportada para outra dimensão e voltou ao estojo. A tinta, aquele preto forte e marcante está cada vez mais parecendo um cinza, assim como pessoas legais envelhecem e se tornam ranzinzas.
Um dia volto a ser, não uma vara de escrita, mas uma Montblanc pesada e classuda a desenhar fractais por aí.
"E todo mundo te odiar em nome do amor, e todo bem que existe neste mundo"