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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Eu passo por uma rua
E finjo que não o vejo
Você também o ignora
E então, logo percebo:
Todos nós varremos
a "poeira" para as sarjetas
Assim como faz a cruz
Afastando o capeta.
Chegaram ali
sem a sabedoria
de que tanta lama
é areia movediça
Mas que opção eles tinham,
se não há como exigir?
Basta negar o olhar,
e eles deixam de existir.
É como o bicho-papão,
que se põe a perseguir.
Se eu não acreditar,
ele não pode me ferir.
O máximo que eu já vi
foi lhes jogarem trocados.
Só espero que um dia,
os recebamos sentados,
de abraços abertos
ouvindo relatos.
Saber o que há
por trás de tais olhos,
saber como soam
lânguidas vozes.
"Mas quem jogou eles lá?
Quem manchou a cidade?"
E ninguém sequer fala
da tinta da autoridade.
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