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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Ah, um ano passa rápido. E olha, vai ser bom pra você, currículo e tudo mais, sabe? Ah, pra ela também, claro! Iiiih, vai passar um frio danado, leva roupa. Não, melhor, compra lá. Não, leva um pouco daqui, mas compra lá também. E compra eletrônico, porque aqui tá caro. E a mãe? E o paizão? E a namorada? E você tá bem no inglês? Tá com frio na barriga? Como não? Eu estaria, se fosse você. Você sabe, gringo é tudo frio, ríspido. Brasileiro que é caloroso. E lá tudo funciona que é uma beleza, né? Não vai voltar de nariz empinado. Não vai esquecer dos amigos. Não vai ficar por lá. Não deixa de procurar oportunidade por lá.

Engraçado, isso já virou uma coletânea, um coquetel de citações, de torpedos que disparam assim que aciona-se o assunto Intercâmbio. Já aprendi a desviar, esquivar, enfrentar, responder, mas vejo como é previsível. Pouquíssimas foram as perguntas que me fizeram, que não soltei uma resposta quase automática. Não coloquei muito de meu cérebro em cima disso, acredite. Eu fui planejando o essencial, as coisas pelas quais eu obrigatoriamente precisarei passar. Mas eu vejo com estas conversas como o povo pensa bem igual, mesmo, um bloco uniforme. E é para me distanciar desta nuvem de pensamento que eu estou indo viajar (acho que essa frase responde várias das perguntas). Cada ser humano é um indivíduo diferente. Por mais que você o coloque nas mesmas jaulas, aprendendo os mesmos truques, ouvindo os mesmos elogios, ao forçar o desconforto e o inesperado para cima de uma pessoa, cada uma vai reagir diferente, cada um vai se mostrar indivíduo. Minha força motriz para essa experiência é falar, beber, ouvir, rir, chorar, pedir e oferecer para, com e de gente nova. Mas é mais do que isso; se eu pudesse, conheceria cada ser humano deste planeta separadamente. Estou indo para tirar pessoas de suas jaulas, de seus truques, de seus confortos. Estou indo para descobrir.

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